Ei gente, hoje nós vamos conversar sobre intolerância à língua. O preconceito linguístico!
Não é segredo pra ninguém que todo ano cai pelo menos uma questão sobre variação linguística na prova de linguagens, né?! Agora já pensou se eles resolvem problematizar isso e preconceito linguístico vira tema de redação?
Vamos entender mais sobre o assunto e enxergar esse preconceito que, muitas vezes, é velado e outras tantas é explícito?
Já quero começar com uma alusão histórica. Você pode até usar na introdução do seu texto e depois já puxar para o desenvolvimento.
Como vocês bem sabem – ou deveriam saber – a língua portuguesa é falada no Brasil por causa dos nossos colonizadores, os portugueses. Porém, o nosso português é diferente do português falado em Portugal. Nós recebemos muita influência do tupi – e suas variações, que era o idioma falado pelos indígenas que já viviam aqui – e dos africanos que foram trazidos pra cá como escravos.
Além dessas questões históricas, há também as questões econômicas, a grande diversidade social, cultural e regional que com o tempo foram moldando ainda mais o nosso falar.
A variedade linguística é REAL e por isso sempre vemos discussões se é biscoito ou bolacha, chips ou salgadinho, mandioca ou macaxeira, Tu ou Você, Oxente ou Uai
Agora por que acontece o preconceito linguístico? Acontece porque há uma norma – a norma padrão, ensinada nas escolas como a gramática normativa.
Mas o que a maioria das pessoas não sabe, é que nós temos a língua portuguesas e vaaaarias variantes dentro dela e uma delas é a padrão… que serve para termos uma referência, mas não significa que é a única correta. Então o que nós chamamos de norma culta/padrão é uma VARIANTE da língua portuguesa.
E o preconceito linguístico é o não aceitar qualquer variante que seja diferente dessa que é passada nas escolas. Não considerar os diferentes aspectos sociais que vão influenciar o modo de falar de cada um.
O nosso queridíssimo e renomado linguista Marcos Bagno, é um professor e autor referência nesse assunto e traz no seu livro “Preconceito Linguístico: O que é e como se faz?”, que todo preconceito linguístico é no fundo um preconceito social. Olha só um trechinho do livro dele:
“O preconceito linguístico deriva da construção de um padrão imposto por uma elite econômica e intelectual que considera como “erro” e, consequentemente, reprovável tudo que se diferencie desse modelo. Além disso, está intimamente ligado a outros preconceitos também muito presentes na sociedade, como o preconceito socioeconômico, preconceito regional, preconceito cultural, preconceito racial e a homofobia.” – Marcos Bagno
Um fato social que você pode usar como repertório, além da própria citação do Marcos Bagno, é o do médico Guilherme Capel.
Você lembra desse caso? Em 2016, o médico postou uma foto em suas redes sociais segurando um receituário em que zombava da forma como um paciente havia pronunciado os termos “pneumonia” e “raio-x”?
E ai temos a diferença no nível de escolaridade. E isso fez com que o médico achasse que tinha o direito de menosprezar a forma como seu paciente falava.
Um gancho que você pode fazer da introdução para o desenvolvimento é como a tentativa de homogeneizar a língua, desde a época da colonização e até hoje nas escolas, agrava esse preconceito linguístico no nosso cotidiano, porque não é todo mundo que tem condições de estudar e aprender essa norma padrão – que na verdade é uma variante, né? Então quem aprende acredita falar corretamente, logo, quem fala diferente é errado.
Ainda segundo Marcos Bagno, o preconceito linguístico é reforçado por ideologias construídas socialmente.
A primeira ideologia é no âmbito pedagógico, pois as escolas focam o ensino exclusivamente na gramática normativa e não fazem nenhum tipo de reflexão ou explicam sobre as demais variedades linguísticas brasileiras.
E a segunda refere-se à massificação dos meios de comunicação que ridicularizam quem não fala o português padrão e os tacham como pessoas que não sabem falar direito. Como o Chico Bento, personagem do Mauricio de Souza, que sofre um preconceito linguístico regional.
Aqui no Brasil, infelizmente é muito comum que haja um julgamento com a fala de alguns grupos sociais, como os nordestinos e caipiras. Inclusive, existem incontáveis programas de televisão que colocam esses grupos como alvo cômico.
Um texto que também podemos usar é o poema “Vício da fala” do Oswald de Andrade, que foi um escritor modernista. Se você não conhece esse poema, dá um confere aí no google.
E já que falamos sobre modernismo, vamos só pontuar que a escola modernista tinha exatamente esse princípio: buscar a linguagem coloquial, relatar coisas do dia a dia e usar variações linguísticas. Logo, é justo que as pessoas se sintam constrangidas com toda essa ridicularização e em outros casos até opressão. Como consequência dessas ocasiões nós podemos perder algumas variantes e aí classificamos como “perda linguística”.
Em relação à mídia, por exemplo, em telejornais há uma imposição de tirar as variantes linguísticas e deixar um português tido como neutro, mas em novelas, há a criação de estereótipos beeem pejorativos de mineiros, baianos, nordestinos.
Além disso, dificuldade para entrar no mercado de trabalho, já que em entrevistas e em provas é cobrado a variante formal também. Então para finalizar, depois desse tanto de informação, como poderíamos solucionar esse problema?
É muito difícil combater o preconceito, porque está na cabeça de cada um. Mas é necessário que a informação chegue a todos.
O Ministério da Educação, em parceria com os meios de comunicação, deve promover campanhas que valorizem essa diversidade e façam as pessoas enxergarem que zombar de que fala “trabaia” não é legal e é SIM um preconceito.
As escolas e os professores de língua portuguesa têm papel fundamental nessa luta também. É de suma importância que eles abordem esse assunto de maneira realista, com exemplos do dia a dia e reflitam com os alunos sobre as variantes do nosso idioma, como as diversas questões sociais podem interferir no falar e não discriminar como a professora do Chico Bento fez.
Os programas de televisão e humoristas, por exemplo, devem parar de fazer chacota e com isso não estarão reforçando esse preconceito.
Dei três sugestões de propostas para que vocês tenham opção. Claro que vocês não devem colocar as três. Escolha a que está mais relacionada ao seu argumento, ok?
E só pra soltar uma treta: é biscoito! hahahah
Então é isso gente, um beijo e até a próxima!